Poema do livro A Casa dos Mil Quartos

Havia ali uma casa
Que mil quartos ela tinha
Sendo de muitas moradas
Sempre tinha alguém que vinha.

Vinha de um quarto ao outro
Cruzando por uma sala
Passando nos corredores
Quieto, sem muita fala.

E às vezes se cruzavam
Trocando olhares sombrios
Às vezes nem se falavam
Qual fossem corpos vazios.

A casa era gigante
E pequena ao mesmo tempo
Abrigava ao mesmo instante
Todos que estavam ao relento.

“E a dona dessa casa
Se chamava solidão
Caminha por todos os cômodos
Olhos fixos no chão.
Nunca olha pra ninguém
Mas vê e conhece a todos
Sabe a dor que todos têm
Em seus íntimos refolhos.”

Em casa quarto da casa
Quase sempre está presente
Queima, arde como brasa
Mesmo quando está ausente.

Na casa dos mil quartos
Cabem todos, sobra espaço
Vejo quase todo mundo
Nos corredores que passo.

Ontem mesmo eu te vi
De olhar tristonho a passar
Passei rente, juntos a ti
E não quiseste me olhar.

Mas eu, porém, insisti
Desafiei teu olhar
Porém depois desisti
Temi poder me queimar.

E a casa dos mil quartos
Nos guarda dentro de nós
Se do mundo estamos fartos
Quando nos sentimos sós.

0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comments
Oldest
Newest Most Voted

COMPARTILHE ESSE ARTIGO

VEJA ESSES OUTROS ARTIGOS

Como foi escrever poemas políticos.

Escrever poemas políticos foi como caminhar sobre um terreno cheio de vozes e silêncios. Cada verso carregava não apenas emoção, mas também responsabilidade: traduzir indignações, esperanças e contradições em palavras que pudessem tocar e provocar reflexão. Foi um exercício de coragem, porque a poesia, quando se aproxima da política, deixa de ser apenas arte e se torna também posicionamento. Ao mesmo tempo, foi libertador perceber que a poesia pode dar forma ao que muitas vezes não cabe em discursos ou debates, revelando nuances humanas dentro de temas que parecem áridos.

Read More »

Qual próximo passo, após o termino da escrita de um livro?

Após o término da escrita de um livro, surge um momento de silêncio que é, ao mesmo tempo, celebração e desafio. O próximo passo não é apenas revisar palavras, mas revisitar emoções: reler cada página com olhar crítico, lapidar frases, cortar excessos e fortalecer o que pulsa. Depois vem a etapa de compartilhar — seja com leitores beta, amigos ou profissionais — para que novas perspectivas iluminem o texto. É também hora de pensar na publicação: escolher entre editoras ou caminhos independentes, preparar capa, sinopse e estratégias de divulgação. Mais do que tudo, é o instante de transformar o manuscrito em obra viva, pronta para encontrar seu espaço no mundo.

Read More »

3 Motivos para ler poesias

Ler poesias é como abrir uma janela para dentro de si. Cada verso nos convida a sentir mais fundo, a enxergar o mundo com delicadeza e intensidade. A poesia não é apenas palavra escrita: é música silenciosa, é pintura feita de emoções, é memória que se eterniza no ritmo das linhas. Ao mergulhar em um poema, descobrimos que o cotidiano pode ser extraordinário e que, mesmo nos instantes mais simples, há beleza escondida esperando para ser revelada.

Read More »

Como eu escria a 10 anos VS hoje

Como eu escrevia há 10 anos VS hoje: antes, as palavras saíam apressadas, sem filtro, como quem corre para não perder o trem. Hoje, elas caminham com calma, escolhendo cada estação, conscientes de que a viagem é tão importante quanto o destino.

Read More »

A copa terminou mas fica a poesia

A copa terminou, mas fica a poesia: os cantos que ecoaram nos estádios, os abraços que uniram desconhecidos, as lágrimas que revelaram paixões. O futebol se despede, mas a poesia permanece, bordando memórias no coração de quem viveu cada instante.

Read More »
0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x